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terça-feira, 11 de julho de 2017

[Fundo de Catálogo] The Incredible String Band - The Hangman's Beautiful Daughter (1968)



Talvez não seja tão bizarro como esta música o foi em 1968, mas não deixa de ser singular que os ouvintes do 3º da Incredible String Band se dividam entre aqueles que na altura adoraram e depois deixaram de gostar, e os que alegam o caminho inverso, ou seja, a estranheza nos anos 60 e a luz anos depois. Não será de estranhar. Embora tenha sido uma pedrada no charco, a música dos Incredible String Band é de difícil audição, sendo que este "difícil" pode ser lido como "quase inaudível". Paralelamente, existe uma geração que bebeu tudo o que este The Hangman's Beautiful Daughter tem para dar. A geração de Devendra Banhart, de Joanna Newsom, a freak-folk que a Wire no arranque do milénio baptizou. 

É também um álbum frequentemente apontado como fundador daquilo a que hoje chamamos world music. Porque introduz elementos da Escócia Natal, das Bahamas, do Oriente e até do Norte de África, para além, claro, dos Estados Unidos. Na altura, os Led Zeppelin foram buscar inspiração e Paul McCartney rendeu-se (a surpresa será o elogio não ter vindo do mais viajado Harrison, mas siga). Um registo que não viaja apenas na música, mas também nas letras e que, ao contrário de Their Satanic Majesties Request não ficou lembrado pela inspiração de Sgt. Peppers na capa. 

sábado, 5 de novembro de 2016

[Fundo de Catálogo] Donovan - Sunshine Superman (1966)


Mais um que caiu no caldeirão psicadélico, não é? Na segunda metade de 66, as quedas os tropeções eram cada vez mais recorrentes e a Aldeia Gaulesa parecia cada vez mais global Até Sunshine Superman, Donovan era tratado como um disciplino (pelos mais simpáticos) ou copista (pelos mais hostis) de Dylan. E percebe-se: a folk, a veia poética, o facto de ter aparecido bem mais tarde, já em 65, três anos depois de Bob Dylan. Mas, vá, depois de Dylan, todos chegam atrasados, de Donovan a Jake Bugg ou, para usarmos um nome mais consensual, Devendra Banhart. O maior elogio que podemos fazer a Donovan é esse: depois de Dylan, todos são Donovans, o escocês que melhor se fazia passar por americano. 

Os Beatles e os Stones tinham-nos introduzido ao som oriental da sitar, mas Donovan usa e abusa do instrumento indiano. Nada que, aliado ao consumo de LSD, surpreenda: Donovan era próximo dos Beatles e de Brian Jones. A droga está omnipresente nas letras e, aliás, a introdução de LSD no copo de uma namorada, Sue Lyon, a Lolita de Kubrick, fez com que a relação chegasse ao fim. 

Alguns apontamentos retirados durante a audição de Sunshine Superman, conclusões nossas: 

- Donovan seria mais obcecado por "velvet" (veludo) do que David Lynch: são três as referências que contámos nestas dez canções;
- Este será um disco muito importante para meninos como os Decemberists que recriam os contos e as histórias e fábulas medievais;

domingo, 14 de setembro de 2014

Chad Vangaalen - Shrink Dust


À imagens de vários pais do século XXI, do pós-Internet, Chad Vangaalen é aquilo a que se pode chamar de "pai mais cool do mundo". Tem dois projectos com os filhos, uma banda de hardcore chamada Crocodile Teeth & The Snugglers e outra techno intitulada de Banana Bread. Talvez inspirado por essa paternidade - a imaginação das crianças é um poço sem fundo -, Vangaalen criou um mundo de monstros, demónios e carregado de referências psicadélicas (a Baby TV explica). Se tivesse sido editado há cerca de dez anos teria sido colocado na mesma prateleira de Devendra Banhart ou Joanna Newsom,  a da freak folk. Hoje entra "apenas" na dos melhores discos que ouvimos este ano.

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