Mostrar mensagens com a etiqueta Jim Morrison. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Jim Morrison. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

[Fundo de Catálogo] The Doors - Strange Days (1967)


Os Doors pela segunda vez em menos do ano, nada surpreendente no ritmo editorial dos sessentas, embora muito deste material venha na sequência de canções já pensadas no tempo pré-álbum de estreia. Quer isto dizer que Strange Days segue a linha sonora de The Doors, mas permite à banda investir mais tempo na exploração de estúdio. Também eles eram inspirados por Sgt. Peppers. Quem não? 

Nota-se que Morrison permite-se explorar ainda mais fundo a sua veia poética. Há. aliás, uma faixa simbólica no reforço dessa ideia: "Horse Latitudes", 95 segundos em registo spoken word. Não é tão conturbado como a estreia, não é um terramoto que foi aquele disco editado no arranque de 1967, não tem faixas censuradas e não tem nenhuma "Light My Fire", embora a complexidade lírica de "When the Music is Over" rivalize de certa forma com a faixa matriz de The Doors. Os Doors eram anti-establishment, estavam nos antípodas do Summer of Love. A filosofia, o misticismo e a arte guiavam um deprimido e negro Jim Morrison. O resultado soava invariavelmente escuro. 

The Doors vendeu mais de 7 milhões de cópias, Strange Days não chegou aos 2 milhões de exemplares. Os hippies tinham os dias contados. Estava tudo de regresso ao normal.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

[Fundo de Catálogo] The Doors - The Doors (1967)


Em 1967, as bandas podiam acertar. Mas acertar à primeira? Esse feito ficou reservado aos Doors. Doors será uma resposta à música luminosa dos Beach Boys ou dos Mamas and Papas. Uma resposta ao Summer of Love, ao movimento hippie. É como que uma inversão da frase com que arrancam a primeira canção do registo: "Break on Through": You know the day destroys the night. No caso dos Doors, é a noite que destrói o dia. É um disco alicerçado no génio (os testes de Q.I. assim o declaravam) de Jim Morrison, ávido leitor, quase sempre alienado, interessado em filosofia, misiticismo e arte, figura tão enigmática como magnetizante. Ao vivo ficava quieto, mas conseguia que nos fixássemos nele o tempo todo. Há em The Doors referência aos tauismo e ao xamanismo, a um lado místico mascarado da poesia da voz de Morrison. E, claro, as drogas, único ponto comum ao tal movimento hippie. Enfim, no meio artístico, quem é que não se drogava nos anos 60? O próprio nome da banda é inspirado num livro que descreve experiência alucinatórias: Doors of Perception, obra de Aldous Huxley. As letras são explicitas, tão explicitas que deram origem a um dos episódios mais icónicos televisão norte-americana desse ano, no Ed Sullivan. Foram os primeiros a ser censurados à séria, ao ponto de, na altura das reedições recentes se ter dito que andámos a ouvir o disco de estreia errado.