Mostrar mensagens com a etiqueta Joan Baez. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Joan Baez. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 18 de maio de 2016

[Fundo de Catálogo] Bob Dylan - Bringing it All Back Home (1965)


É o Dylan eléctrico, o Dylan traidor, o Dylan que cospe no legado da folk tradicional. Ou, pelo menos, era assim que os fãs dos primeiros quatro discos o viam. Bringing it All Back Home até é mais acústico do que eléctrico, mas os fãs não lhe perdoaram a ousadia. A electricidade é apenas um sinal. Dylan queria fazer diferente - não é por acaso que "Subterranean Homesick Blues" é muitas vezes apelidada de precursora do hip hop, não andará muito longe da verdade. Aquela que será, porventura, a mais celebrada canção deste registo terá sido inspirada em "Too Much Monkey Business", de Chuck Berry - é a música pop já a citar-se, logo no início.



O 5º disco de Dylan vem na sequência do encontro com os Beatles e da consequente "troca de influências" - também virá daqui a roupagem mais rock. Dylan terá introduzido os fab four à marijuana, qual convite à inspiração que também ia apanhando um imberbe Brian Wilson. As canções de protesto e sobre os direitos civis já não são novidade, mas aqui, Dylan está numa forma tremenda.  


E a capa, senhores? A capa (de Daniel Kramer) merece um parágrafo só para si, tal é a quantidade de elementos. Uma catrefada de vinis, eventualmente os que influenciaram este disco- ou não. São eles: Keep on Pushing (The Impressions), King of the Delta Blues Singers (Robert Johnson), India's Master Musician (Ravi Shankar),  Sings Berlin Theatre Songs by Kurt Weill (Lotte Lenya), The Folk Blues of Eric Von Schmidt (Eric Von Schmidt), Another Side of Bob Dylan (o próprio) e The Best of Lord Buckley (Lord Buckley). Há a Time de 1 de Janeiro de 65, com Presidente Lyndon B. Johnson na capa, uma harmónica na mesa, o gato (Rolling Stone) no colo do próprio Dylan e também lá está Sally Grossman, a mulher de Albert Grossman, o manager de Dylan. Os botões de punho terão sido oferecidos por Joan Baez - é a própria que o diz na canção de 75, "Diamonds & Rust". 

Seguia-se Blonde on Blonde.

terça-feira, 26 de maio de 2015

[Fundo de Catálogo] Bob Dylan - The Freewheelin' Bob Dylan (1963)


The Freewheelin' Bob Dylan é o verdadeiro primeiro álbum do músico de Minnesota. É-o por motivos vários: é o primeiro em que se faz escritor de canções, é o primeiro dominado por originais - a proporção de covers-originais é inversamente proporcional à da estreia homónima - e é aquele que lhe dá o título de "voz da sua geração". Esteve para não acontecer - À imagem de muitas outras editoras, a Columbia queria desistir do músico, sendo sua vontade rescindir o contrato, na sequência do falhanço de Bob Dylan que vendeu 5 mil cópias. "A Loucura de Hammond", foi assim que passou a ser apelidado - Hammond é John Hammond, o produtor que acreditou no seu talento. Com The Freewheelin' Bob Dylan, a "Loucura de Hammond" passaria a ser bem menos louca. O produtor defendeu que o segundo disco seria um sucesso. Finalmente acertou. 



De Bob Dylan para The Freewheelin'..., o músico terá crescido imenso como escritor de canções. Clinton Heylin, homem que muito estudou Dylan, liga esta maturidade ao facto de, em 62, o jovem Dylan se ter mudado, com a namorada Suze Rotolo, para um apartamento em Nova Iorque. A ligação vai para lá do juntar dos trapos: os pais de Rotolo tinham grandes ligações políticas, estando ambos ligados ao Partido Comunista Americano. Não admira, pois, que o The Freewheelin'... seja extremamente político, focando-se nos direitos civis e na guerra fria e respectiva ameaça nuclear. Uma terceira temática assombra o registo: a própria Rotolo. Em Julho de 62, a ainda namorada de Dylan viaja, com a mãe, para estudar durante 6 meses em Itália. Dylan começa a escrever com a esperança que a companheira regresse depressa. Esta viria a adiar o regresso e manifestava a vontade de não ser apelidada de "a miúda do Bob", uma vez que as atenções caiam sobre ele, independentemente do fracasso do material de estreia - ironia: ainda hoje é conhecida por ser a ex-namorada de Dylan. 



Entretanto, no final de 62, Dylan terá passado por Inglaterra e depois viajado para Itália, para se encontrar com Alber Grossman, o manager, e a namorada que, entretanto, já tinha regressado a Nova Iorque. Regressa também ele a Nova Iorque, onde Grossman manifesta vontade de substituir Hammond, motivo pelo qual, a Columbia, evitando divergências, acaba por colocar Tom Wilson, um produtor jazz afro-americano ligado a nomes como Sun Ra e Coltrane e que, até conhecer Dylan, acreditava que a folk era para estúpidos, na produção. 

Em cima da edição, em Maio de 63,, é convidado para actuar no Ed Sullivan Show. Canção escolhida: "Talkin' George Birch Blues". Problema: a CBS considera-a difamadora e obriga-o a trocar por outra. Dylan recusa. Também em cima da edição, Dylan actua com Baez no Monterey Folk Festival e dão início a uma fugaz relação. The Freewheelin'... também é isto: o fim de uma relação - a Rotolo surge ainda na icónica capa do álbum - e o início de outra, embora ambas efémeras.



O sucesso do álbum é inegável - em um mês venderia o dobro de Bob Dylan. Bob Dylan, "a voz da sua geração". Começava aqui.