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sábado, 4 de março de 2017

[Fundo de Catálogo] Leonard Cohen - Songs of Leonard Cohen (1967)


E no mesmo dia, 27 de Dezembro de 1967, Bob Dylan e Leonard Cohen editaram discos tremendamente influenciados pela Bíblia. E, embora Dylan fosse substancialmente mais novo, já levava quase uma década disto. Cohen era a primeira vez que materializava os seus poemas e escritos em algo musical. Já tinha 33 anos quando este Songs of Leonard Cohen se mostrou diferente de tudo o que ouvíramos até aí, incluindo a discografia de Robert Allen Zimmerman.

O poeta e escritor vira então um dos mais influentes músicos de todos os tempos. Ainda não domina a melodia, mas saca algumas das suas canções mais emblemática, muito pela força e complexidade literária que coloca na estreia. Esta complexidade demorou meses a criar, algo fora do comum nos anos 60 em que seis meses davam para editar dois discos do mesmo artista e não, como no caso de Cohen, para compor e gravar um único registo. Embora sem grandes melodias, o som folky vive à base do fingerpicking à John Fahey e da inclusão de outros ocasionais instrumentos que não deixam cair estas dez canções no bocejo.

Noutra curiosidade e comparação entre os grandes poetas musicais do século XX, o título de uma canção de  Dylan deu nome aos Judas Priest e o nome de uma canção de Cohen baptizou os Sisters of Mercy.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

[Fundo de Catálogo] Tim Buckley - Goodbye and Hello (1967)


Regressamos a Goodbye and Hello e apercebemo-nos da impressionante quantidade de afirmações do género "o filho é melhor que o pai" e vice-versa, com argumentos que fazem lembrar aquelas discussões que temos no tempo do básico sobre jogadores da bola e que acabam, invariavelmente, num "são jogadores diferentes, não dá para comparar", e acabou a conversa. Ambos tinham dom vocal, ambos morreram cedo e ambos deixaram um legado incontornável. A partir daí, qualquer termo de comparação torna-se discutível. 

Goodbye and Hello surge depois de Buckley deixar escolha, mulher e bandas para trás e depois também da edição de Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band, álbum que sai no dia 1 de Junho de 1967 para contaminar todo o segundo semestre. A folk de Buckley passa a incluir, em alguns casos, nomeadamente nas duas primeiras canções, sons que contextualizam o tema das canções que são sobre guerra, drogas e solidão na sua maioria, todas poéticas, mas com um nível de risco e exploração quem nem Donovan, nem Dylan, ele que estava a recuperar de um acidente de mota e não daria notícias durante o que restou do ano civil, teriam alcançado na altura. Ouvimos fantasmas muito ocasionais de John Fahey e notamos a preciosa ajuda de Larry Beckett, aspirante a poeta e escritor de canções que mais recentemente se tornou num crítico literário, ele que colaborou em seis canções, deixando a sua marca nalgum do melhor material de Tim Buckley. 

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

[Fundo de Catálogo] John Fahey - Blind Joe Death (1959)


E no início era o rock' n' roll. O de Bill Haley, Elvis, Little Richard, Buddy Holly e Chuck Berry. A bossa nova dava os primeiros passos com João Gilberto e James Brown arrancava na sua jornada funk. A estreia de John Fahey era, portanto, um O.V.N.I. que na primeira edição contou apenas com 100 exemplares, tais eram as expectativas comerciais de Blind Joe Death. E foi com apenas 100 edições tornou-se num dos discos mais importantes de sempre. É como aquele mito (?) que diz que apenas uns milhares compraram a estreia dos Velvet Undeground, mas todos os que o compraram formaram uma banda - Fahey influenciou, entre muitos outros, senhores como Pete Thousand, Thurston Moore, Beck, mais recentemente William Tyler e - porque não? - Norberto Lobo.



O título terá sido em parte uma sugestão de um amigo: na altura, quase todos os artistas blues eram Blind qualquer coisa - Blind Willie Johnson, Blind Boy Fuller, Blind Joe Taggart, etc. Chegou a criar uma história à volta da personagem fictícia que dá título ao disco, levando-o por vezes a palco, através da sua personificação - conduzido a palco pelo braço e de óculos escuros. A outra parte da justificação do título estará no mais antigo fascínio da humanidade: a morte. Aliás, Fahey dizia sentir um instinto mórbido na altura. É fácil acreditar, o génio do fingerpicking era um alcoólico com aquela atitude muito punk (muito antes de o punk existir) de desresponsabilização e do it yourself - aprendeu tudo sozinho e criou a sua própria editora quase exclusivamente para se editar a si próprio. 


Blind Joe Death foi gravado na sua casa, em Takoma Park, Maryland. Ainda hoje vive (e como vive!) para lá dela e daqueles míticos (e hoje caríssimos) 100 exemplares.