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terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

[Fundo de Catálogo] The Rolling Stones - Their Satanic Majesties Request (1967)


O caos seria tal que, segundo Brian Jones, a um mês da edição deste Their Satanic Majesties Request, a banda ainda não teria nada. Keith Ricards haveria de trata-lo por “lixo” e Mick Jagger assumiria: "não é grande coisa". A verdade é que o disco que em tempos foi resignado a medíocre resposta a Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band dos Beatles, acabou por envelhecer bem. “2000 Man”, por exemplo, tem algo de profético adivinhando de certa forma o boom tecnológico do século XXI. Isto numa altura em que os computadores ainda nem era acessório caseiro.  


A drogaria seria tal que a primeira proposta de capa para o disco foi colocar Jagger numa cruz. A editora, claro, chumbou a ideia, mas não evitou que Andrew Loog Oldham abandonasse o estúdio, deixando os Stones à mercê das doses de LSD. Cada elemento do grupo trazia várias outras pessoas para estúdio numa desorientação total a que a produção descuidada faz jus. 

Nessa altura, a banda já tinha inventado um dos riffs mais influentes de todos os tempos que, por sua vez, já tinha influenciado uma data de outros. Their Satanic Majesties Request é o disco mais diferente dos Stones e por isso o mais fácil para um não fã da banda gostar. Estranho que tenha sido tão comparado com Sgt. Peppers quando é, se assim se pode dizer, um disco bem  mais psicadélico. O oitavo dos Beatles explora bem mais a canção pop do que o anterior Revolver, esse sim, o hino psicadélico da banda.

Picaram o ponto psicadélico e, depois disto, voltariam à base: os blues.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

[Fundo de Catálogo] The Rolling Stones - Aftermath (1966)


Embora seja muitas vezes celebrado por ser o primeiro álbum composto exclusivamente por composições da dupla Jagger/Richards, a grande influência sobre Aftermath talvez tenha que ser concedida a Brian Jones. Enquanto os restantes andavam à boleia da obra dos Beatles, Jones passava tempo com um deles, George Harrison, ele que lhe terá mostrado todos os instrumentos fora do comum que aqui encontramos: sitar, marimba e koto. E é só por isso que este é o primeiro álbum dos Stones que nos obriga a parar para ouvir com redobrada atenção. Há ali um baixo fuzz, acolá um ou outro pormenor que foge ao padrão blues-rock dos primeiros registos, mas nada como os toques instrumentais introduzidos por Jones. 



Era para ser a banda sonora de um filme que nunca existiu provisoriamente chamado Back, Behind And in Front. Acabaria por não avançar, por alegada falta de entendimento entre Mick Jagger e o potencial realizador, Nicholas Ray. O vocalista não terá apreciado o homem de Johnny Guitar. É um corte do passado, o abraçar da provocação e às drogas: algumas canções, "Stupid Girl" e "Under My Thumb" à cabeça, irritaram movimentos feministas com alegadas tiradas misóginas.


A versão britânica ultrapassa os 50 minutos e aí já não é apenas um corte com o passado do grupo, mas com o de toda a industria. 

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

[Fundo de Catálogo] Johnny Cash - Johnny Cash and His Hot Blue Guitar (1957)


Quando editou Johnny Cash and His Hot Blue Guitar em 1957, Cash já tinha passado pela Alemanha, conhecido a rejeição do pai e carregava o sentimento de culpa na morte do irmão mais velho. Já tinha sido rejeitado pelo mesmo Sam Philips que o lançaria através da sua Sun Records - Cash queria o gospel, Philips considerava-o igual a tantos outros nesse campeonato. Foi repescado através de um country que não é (só) country - também é gospel (embrulha, Sam!), blues, rock, soul, etc.  

Quando editou Johnny Cash and His Hot Blue Guitar, o homem de negro já tinha editado "Cry Cry Cry", primeiro single, primeiro sucesso, motivação para continuar uma obra maior que acabaria por tocar em prisões. Actuações que, em noite de réveillon, inspirariam ex-reclusos a seguir uma carreira na primeira divisão country.



No início, Cash, confesso fã do Rei, imitava/homenageava/satirizava Elvis Presley durante os concertos. Apesar da boa disposição, a voz, as letras, a imagem já eram negras, muito negras. O passado de Cash a aterrorizar/inspirar o seu presente. A inspiração era tal que "as letras vinham à medida que as ia escrevendo. Levei 20 minutos a terminar a canção." O desabafo refere-se a "Walk the Line", provavelmente o grande clássico da estreia daquele que viria a ser apelidado de Keith Richards do country. A canção, sabemos, é dedicada à sua ex-mulher, é a ressaca do primeiro casamento, o que antecedeu uma das mais belas história da música contemporânea: Johnny Cash & June Carter.


Ainda antes da primeira edição a sério,  o homem que desafiava sem medos o público, virando-lhe as costas, já se tinha juntado a Elvis, Carl Perkins, Jerry Lee Lewis naquele que se tornou o primeiro super grupo de sempre, os Million Dollar Quartet. "Rock Island Line" toca o rock' n' roll, mas são artistas gospel e blues que o inspiram: as Sister Rosetta e as Rosettes, Bill Monroe, Hank Williams e Jimmy Rogers.

Com Johnny Cash and His Hot Blue Guitar, o gospel seria definitivamente enterrado, Johnny Cash começava a sua caminhada para se tornar na grande lenda do country.