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terça-feira, 14 de julho de 2015

[Fundo de Catálogo] Bob Dylan - The Times They Are a-Changin' (1964)


The Times They Are Changyin' surge na sequência de várias mudanças na vida emocional de Dylan, nomeadamente o fim da relação com Suze Rotolo - recordemos que é ela que surge agarrada ao músico na capa de The Freewheelin' Bob Dylan. Tornara-se a voz da sua geração, um escritor de canções. Este 3º álbum leva-o ainda mais longe que os anteriores, colocando o dedo na ferida em várias frentes: os direitos civis, a guerra fria e a luta de classes. As influências vão das baladas irlandesas e escocesas e a poesia beat.


The Times They Are Changyin'. A expressão ainda hoje é usada de forma corriqueira. Surgia pela primeira vez, poucos meses depois da morte de Kennedy e do sonho de Martin Luther King. Ao contrário dos álbuns anteriores, é um disco sério, duro, negro, preocupado. Assombrado pela morte e pela guerra - o perdão da Alemanha, na sequência da II Guerra, por exemplo, tão na ordem do dia, é aqui mencionado, prova magna de intemporalidade que viria a ser testada 20 anos depois, quando Steve Jobs usou a expressão para revelar o primeiro Macintosh.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

2013, o ano em que recordámos Nina Simone


2013 é ano redondo no calendário Nina Simone. Se fosse viva, teria celebrado o seu 80º aniversário no dia 21 de Fevereiro de 2013, ano que nos tem recordado regularmente que a voz de "I Loves You Porgy" é uma das mais influentes de sempre. Uma influência que vai de Lauryn Hill a Christina Aguilera. Primeiro foi o polémico anúncio de Zoe Saldana enquanto protagonista do biopic não autorizado. Depois, o badalado sample de "Strange Fruit" do muito discutido Yeezus de Kanye West. Agora, é a vez de Xiu Xiu convidar malta do avant-jazz e reinterpretar as canções de Nina, num álbum arriscado e que não procura uma forma bela de apresentar a essas canções que são uma força da natureza. A voz de Nina Simone era a sua força. E que força. Enfrentava qualquer medo, qualquer oposição. "Eles estão a matar-nos um a um", desabafava após a morte de Martin Luther King. Felizmente a sua voz e a de outros como Luther King e Malcolm X fez-se ouvir mais alto do que qualquer disparo. Ainda hoje trememos.

Convidámos Selma Uamusse (Wraygunn, Cacique 97, Soulbizness e voz que presta Tributo a Nina Simone desde 2009) a comentar a omnipresença de Nina Simone no ano que marca uma década desde o seu desaparecimento. De Moçambique, rapidamente acedeu de forma disponível ao nosso pedido: "estou em estúdio e meio ocupada, mas este ano a Nina comemoraria 80 anos se estivesse viva. Por outro lado, passam 50 anos [desde] o discurso de Martin Luther King, associado aos movimentos cívicos, [sendo que] a Nina teve um enorme papel de intervenção. Um biopic dela faz antever um recordar de todo esse papel social e musical. Fiz um Tributo à Nina em 2009, a Meshell Ndegeocello e a Jacinta este ano. Penso que a principal razão para todas estas movimentações é a enorme mulher que a Nina foi e, tendo alguns temas muito conhecidos, tem um legado interessantíssimo que não chegou a todos e que, começando a explorar, [nos leva a] estudar todo um potencial de intervenção, uma sonoridade intemporal, letras profundas e interpretações inesquecíveis".