Quando os United States of America editam o álbum de estreia, 1968 já ia sendo marcado por um rock mais pesado e que caminhava para a criação de várias linhagens: o hardrock, o heavy metal, o rock progressivo, etc. Mas o que esta banda de um álbum só traz nem guitarras tem, embora existam teclados que não deixam sentir esse buraco. Joseph Byrd, cérebro disto tudo, era seguidor de John Cage, Stockhausen, La Monte Young e Steve Reich e dizia-se desconhecedor das raízes rock, algo que surpreende pela forma como este disco manifesta influências de Jefferson Airplane, Beatles, Velvet Underground e Nico e Mothers of Invention, por exemplo. Sabem aquelas bandas que soam descaradamente a outras bandas que já lá vão, mas referem nunca as ter ouvido? Deve ser verdade. Mas este não é um registo que se distinga pela sua acessibilidade, tal é a quantidade de motivos avant-garde que terá ido buscar aos já mencionados compositores. Importantíssimo para aquilo que viria a ser o krautrock.
Mostrar mensagens com a etiqueta Nico. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Nico. Mostrar todas as mensagens
terça-feira, 4 de julho de 2017
[Fundo de Catálogo] The United States of America - The United States of America (1968)
Etiquetas:
1968,
Fundo de Catálogo,
Jefferson Airplane,
John Cage,
La Monte Young,
Mothers of Invention,
Nico,
Steve Reich,
Stockhausen,
The Beatles,
The United States Of America,
Velvet Underground
terça-feira, 27 de junho de 2017
[Fundo de Catálogo] Velvet Underground - White Light White Heat (1968)
E num ano tudo muda. Despacharam Andy Warhol e Nico, mas deixaram ficar as guitarras abrasivas, a constante auto-sabotagem e as letras que variam entre sexo e drogas. Há aqui duas canções que poderiam estar em Velvet Underground & Nico, a faixa título e "Here She Comes Now", esta de longe a mais acessível do segundo dos Velvet. White Light / White Heat será a coisa pop mais inaudível criada até à data. Se já não eram muitos os fãs, imaginem quantos ficaram. "Ninguém o ouviu", chegou a dizer Lou Reed, não muito tempo antes de nos deixar. Não será assim tão verdade, mas se o Velvet & Nico é um fracasso que passou a um dos discos mais ouvidos de sempre, White Light... ficou mesmo meio esquecido.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017
[Fundo de Catálogo] Love - Forever Changes (1967)
Se Da Capo os inclui no catálogo psicadélico, Forever Changes afasta-os para algo completamente novo em 1967: um registo folk-rock latino-americano. Culpa dos trompetes e do som tipo Herb Alpert & the Tijuana Brass, grupo que nesse mesmo ano lançara Sounds Like... um dos best sellers do ano. Nas referências mais óbvias, os Love iam a Bob Dylan e, como todos os outros, aos Beatles (era Rubber Soul/Revolver).
Ironicamente, ao contrário do tal disco dos Tijuana Brass, Forever Changes não vendeu quase nada. Os Love colocavam-se do lado dos Doors, companheiros editoriais, e partilhavam o mesmo cinismo perante uma onda de positivismo contrastante com as guerras americanas, internas e externas. Não custa muito acreditar que para um afro-americano como Arthur Lee (cérebro de quase tudo o que está aqui) a luta pelos direitos civis lhe fosse cara. No documentário Love Story disse que um amigo o havia aconselhado a não tocar em assuntos como a política e a religião. "Ele estava enganado", concluiu.
Nas palavras do próprio, Lee terá pressentido que não passaria do Verão de 67 e criou um testamento, algo que espelhasse o que sentia, daí que o resultado seja tão pessimista e propositadamente afastado dos ideias do Summer of Love que entretanto já era história. Mas este é também um disco sobre o deteriorar da relação entre Lee e o outro ego do grupo: Bryan MacLean, filho de um arquitecto de Hollywood, o burguês da banda. Seria a última vez que a formação original gravaria junta. Na rodapé das curiosidades, destaque para Neil Young que era suposto produzir, mas, à última hora, decidiu avançar com a sua carreira a solo, embora, nem dois anos depois, tenhamos percebido que não era bem assim.
Forever Changes é uma espécie de Velvet Underground & Nico na forma como influenciou tantos e passou despercebido no seu tempo.
Etiquetas:
1967,
Arthur Lee,
Bob Dylan,
Fundo de Catálogo,
Love,
Neil Young,
Nico,
Summer of Love,
The Beatles,
The Doors,
Tijuana Brass,
Velvet Underground
domingo, 22 de janeiro de 2017
[Fundo de Catálogo] Velvet Underground - Velvet Underground and Nico (1967)
A banana está mais do que descascada. Não há muito que se possa acrescentar sobre um disco que já foi dissecado milhares de vezes, mas há sempre a Internet e a nossa percepção pessoal.
Quanto à Internet, é seguir para uma teoria partilhada no reddit que, não sendo rebuscada e/ou uma pedrada no charco, vale a pena espreitar. Isto se não perderam mais do que dez minutos a pensar que o disco poder uma obra conceptual sobre um drogado.
Já aqui se escreveu que bandas como os Doors e os Jefferson Airplane foram censuradas, embora de maneiras diferentes. No caso dos Velvet Underground, o conteúdo era tão explicito (drogas, dealers, prostitutas...) que poderá ser registado, a par dos discos de viragem dos Beach Boys e Beatles, como primeiro suicídio comercial da história. 30 mil cópias vendidas que, segundo Brian Eno, renderam outras tantas bandas (de forma subtil, colocámos aqui uma das citações mais célebres da história da música pop, talvez assim não soe tão chato).
A história já tinha oferecido álbuns importantíssimos, Pet Sounds, Sunshine Superman, Revolver, Blonde on Blonde, Rubber Soul, só para citar os de omissão impossível, mas, ainda que Dylan tenha gravado na cidade, nenhum espelhava tão bem a Nova Iorque do final dos anos 60 Mas nem a aliança de Andy Warhol na produção e tudo o mais evitou o falhanço. O "e tudo o mais" pode ser traduzido pela criação de uma improvável aliança entre americanos e alemães ou, neste caso, uma atriz, modelo e musa de Brian Jones e Dylan, uma alemã chamada Nico (muito antes de Klinsmann treinar a elecção americana naquela que é a única associação germânico-americana que me lembra assim de repente). Há ainda uma vertente mais técnica que está relacionada com John Cale, músico de formação clássica que odiava folk e adorava La Monte Young e John Cage, que trouxe ideias de gravação que revolucionaram o som da banda. "We were trying to do a Phil Spector thing with as few instruments as possible", diria depois.
Um ano depois, em Janeiro de 1968, com White Light/White Heat, provariam que o suicídio comercial era o seu modus operandi.
Etiquetas:
1967,
Beach Boys,
Beatles,
Bob Dylan,
Brian Eno,
Donovan,
Fundo de Catálogo,
Jefferson Airplane,
John Cage,
John Cale,
La Monte Young,
Nico,
Phil Spector,
Reddit,
The Doors,
Velvet Underground
Subscrever:
Mensagens (Atom)



