Mostrar mensagens com a etiqueta Phil Spector. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Phil Spector. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

[Fundo de Catálogo] Captain Beefheart and his Magic Band - Safe as Milk (1967)


Foi desde pequeno que Beefheart captou a atenção da família e o encorajamento necessário para desenvolver os seus talentos. É também em miúdo que conhece Frank Zappa que haveria de se tornar a sua grande influência, sendo que aqui neste Safe as Milk essa influência manifesta-se na forma como parodiou tudo o que o rodeava.

Há algum tempo que Beefheart gravava covers r&b para a A&M, a editora habitual que acabou por chumbá-lo desta vez. Uns disseram que as canções eram demasiado depressivas, outros eram mais específicos, como Jerry Moss, executivo da editora terá referido que o conteúdo de "Electricity", por exemplo, seria demasiado sugestiva para os ouvidos da sua filha. Tivesse-lhe mostrado "I'm Glad", eventual paródia a uma canção dos Miracles, e pode ser que...

O disco, fortemente influenciado pelos blues, mas também pela soul, influências western e outras de Phil Spector aqui e Kinks ali, acabou por ser editado pela Buddah Records e, alegadamente, adorado por John Lennon. Pode Safe as Milk ser levado demasiado a sério? Claro que não, mas reconhecemos aqui algum material que haveria de influenciar gente menos óbvia, como John Frusciante, e outra mais evidente como Mike Patton.

 

domingo, 22 de janeiro de 2017

[Fundo de Catálogo] Velvet Underground - Velvet Underground and Nico (1967)

A banana está mais do que descascada. Não há muito que se possa acrescentar sobre um disco que já foi dissecado milhares de vezes, mas há sempre a Internet e a nossa percepção pessoal. 

Quanto à Internet, é seguir para uma teoria partilhada no reddit que, não sendo rebuscada e/ou uma pedrada no charco, vale a pena espreitar. Isto se não perderam mais do que dez minutos a pensar que o disco poder uma obra conceptual sobre um drogado.

Já aqui se escreveu que bandas como os Doors e os Jefferson Airplane foram censuradas, embora de maneiras diferentes. No caso dos Velvet Underground, o conteúdo era tão explicito (drogas, dealers, prostitutas...) que poderá ser registado, a par dos discos de viragem dos Beach Boys e Beatles, como primeiro suicídio comercial da história. 30 mil cópias vendidas que, segundo Brian Eno, renderam outras tantas bandas (de forma subtil, colocámos aqui uma das citações mais célebres da história da música pop, talvez assim não soe tão chato). 

A história já tinha oferecido álbuns importantíssimos, Pet Sounds, Sunshine Superman, Revolver, Blonde on Blonde, Rubber Soul, só para citar os de omissão impossível, mas, ainda  que Dylan tenha gravado na cidade, nenhum espelhava tão bem a Nova Iorque do final dos anos 60 Mas nem a aliança de Andy Warhol na produção e tudo o mais evitou o falhanço. O "e tudo o mais" pode ser traduzido pela criação de uma improvável aliança entre americanos e alemães ou, neste caso, uma atriz, modelo e musa de Brian Jones e Dylan, uma alemã chamada Nico (muito antes de Klinsmann treinar a elecção americana naquela que é a única associação germânico-americana que me lembra assim de repente). Há ainda uma vertente mais técnica que está relacionada com John Cale, músico de formação  clássica que odiava folk e adorava La Monte Young e John Cage, que trouxe ideias de gravação que revolucionaram o som da banda. "We were trying to do a Phil Spector thing with as few instruments as possible", diria depois. 

Um ano depois, em Janeiro de 1968, com White Light/White Heat, provariam que o suicídio comercial era o seu modus operandi.

domingo, 30 de outubro de 2016

[Fundo de Catálogo] The Beach Boys - Pet Sounds (1966)


A quente, pode parecer difícil compreender o espanto dos outros quatro Beach Boys quando regressam de mais uma digressão, desta feita sem Brian Wilson, e encontram o rato de laboratório à volta das canções que viriam a resultar em Pet Sounds. Afinal de contas, as pistas já estão todas em Today!, disco de transição cuja primeira metade faz a ponte para a idade adulta da banda. Mas analisemos a coisa a frio: ninguém tinha escrito e realizado nada assim. Nem Phil Spector, a grande inspiração de Wilson. Nem os Beatles de Rubber Soul, a grande inspiração de Pet Sounds. Embora o sexto disco dos britânicos já representasse um passo em frente em relação aos demais, são os Beach Boys de Pet Sounds que levam a produção rock 'n' roll até onde esta nunca tinha ido, mesmo em valores monetários: o registo terá custado $70,000, o equivalente a mais de $500,000 de hoje.



Pet Sounds é a primeira vez que se questiona a indústria: é um disco que não vai à procura do público, mas é o público que tem que ir ao seu encontro e dedicar-lhe tempo. Na altura não vendeu tanto como os anteriores e foi melhor recebido no Reino Unido. Parte de uma premissa muito simples, mas de execução complexa: fazer algo incrível, sem canções para encher, algo que durasse pelo menos dez anos, "algo muito bom como o que fez Phil Spector", explicou mais tarde Brian Wilson. É daqui que vem uma ideia de álbum conceptual, o primeiro registo acidentalmente conceptual, uma obra reconhecida pela produção inovadora. Para concretizar as suas ideias, Wilson equacionou levar um cavalo para estúdio e levou mesmo cães, comboios, campainhas de bicicleta, latas de coca-cola, garrafas de água, theremin, acordeão, bongo, ukulele, enfim, uma catrefada de coisas que ninguém a não ser o próprio poderiam ter antecipado. Eventualmente, o psicadelismo conhece aqui o seu ano zero. Entretanto, o homem ia cosendo as letras que Tony Asher, rapaz que Wilson tinha conhecido em 65 e que tinha criado vários jingles para uma agência de publicidade, ia escrevendo.

Quando lhe dizem que Pet Sounds é o melhor álbum de sempre, ele responde que o seu melhor álbum de sempre é Christmas Album, uma compilação da autoria de Phil Spector.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

[Fundo de Catálogo] The Mamas & The Papas - If You Can Believe Your Ears and Eyes (1966)


No que diz respeito às harmonias e predilecção do estúdio e desdém pela estrada, o génio de John Phillips só encontrará paralelo no de Brian Wilson. O que os Mamas and The Papas fizeram a nível harmónico, como obra definitiva, só poderá ser comparado a Pet Sounds. Aliás, a estreia apressada da banda Californiana encontra inspiração em Rubber Soul, dos Beatles, e na segunda metade de Today!, dos Beach Boys. Mas foquemo-nos então em Março de 66: a Califórnia hospedava o movimento que ainda hoje serve de farol para o que aconteceu nos anos 60: o hippie. If You Can Believe Your Ears and Eyes é peça central para compreender o que se passava na Costa Oeste, no geral, e na Califórnia, no particular. 

A adoração de Philips e Wilson pelo estúdio coloca-nos num outro momento de transição: os músicos que começam a trabalhar para o estúdio e preterem a estrada. Até à temporada 65/66 o caminho era o inverso. Phil Spector, também ele figura central nesta transformação, ia abanando as coisas e também ele merece a sua homenagem em "Spanish Harlem". Para além, claro, do tão celebrado Wall of sound que surge logo a abrir, com "Monday, Monday". O apontamento final vai para a capa que foi banida não por colocar todos os membros da banda, embora vestidos, na mesma banheira, mas pela presença de um lavatório. Ah, sim, e "California Dreamin'", sim, grande canção!