Para além dos seus inúmeros predicados, Odessey and Oracle vem provar que nem só Sgt. Peppers servia de inspiração na temporada 1967/68. Os Zombies são muito mais Team Beach Boys do que Team Beatles, isto embora tenham gravado em Abbey Road e fossem conterrâneos dos Fab Four. As harmonias dos Beach Boys, a pop refinada de uns Kinks... o resultado só tem um erro e está no título que saiu Odessey em vez de Odyssey, fruto de eventual desmazelo devido à alegada liberdade que a concepção do disco gozou, sem pressões de êxito comercial. Separaram-se ainda antes da edição que, na altura passou despercebida, acabando o álbum por ser desenterrado. Porque com eles tudo aconteceu tarde. Até as digressões de promoção.
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segunda-feira, 31 de julho de 2017
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017
[Fundo de Catálogo] Moody Blues - Days of Future Passed (1967)
A ideia seria gravar uma versão rock em stereo da 9ª sinfonia de Dvorak, a New World Symphony. O resultado é o primeiro álbum de rock progressivo, antes mesmo do termo e dos King Crimson existirem. Em 1967, a metamorfose era uma prática bastante comum: bandas que viravam do rock para o psicadelismo, artistas folk que de cantores de protesto passavam a compositores barrocos, grupos que trocavam o palco pelo estúdio. A transformação dos Moody Blues. ex-grupo r&b, só por si, não é surpreendente, mas aquilo em que se transformou é o que torna este Days of Future Passed um dos mais influentes discos de sempre a derivarem de um dos discos mais influentes de sempre: Sgt Peppers, claro.
Já tínhamos laivos de conceito anexados a álbuns, como Pet Sounds, Face to Face, Freak Out! ou, claro, Sgt Peppers, mas este deverá ser mesmo o primeiro álbum a criar um conceito e a navegar à volta do mesmo: o conceito de dia (referência aos Beatles?), com o arranque madrugador e fim nocturnal. Pelo meio, a London Festival Orchestra funde-se com os músicos num som sinfónico, psicadélico, fresco. Não é bem o fogo dos Beatles, é até contido, poético, acolhedor.
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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017
[Fundo de Catálogo] Captain Beefheart and his Magic Band - Safe as Milk (1967)
Foi desde pequeno que Beefheart captou a atenção da família e o encorajamento necessário para desenvolver os seus talentos. É também em miúdo que conhece Frank Zappa que haveria de se tornar a sua grande influência, sendo que aqui neste Safe as Milk essa influência manifesta-se na forma como parodiou tudo o que o rodeava.
Há algum tempo que Beefheart gravava covers r&b para a A&M, a editora habitual que acabou por chumbá-lo desta vez. Uns disseram que as canções eram demasiado depressivas, outros eram mais específicos, como Jerry Moss, executivo da editora terá referido que o conteúdo de "Electricity", por exemplo, seria demasiado sugestiva para os ouvidos da sua filha. Tivesse-lhe mostrado "I'm Glad", eventual paródia a uma canção dos Miracles, e pode ser que...
O disco, fortemente influenciado pelos blues, mas também pela soul, influências western e outras de Phil Spector aqui e Kinks ali, acabou por ser editado pela Buddah Records e, alegadamente, adorado por John Lennon. Pode Safe as Milk ser levado demasiado a sério? Claro que não, mas reconhecemos aqui algum material que haveria de influenciar gente menos óbvia, como John Frusciante, e outra mais evidente como Mike Patton.
sábado, 11 de fevereiro de 2017
[Fundo de Catálogo] The Kinks - Something Else by the Kinks (1967)
O anterior Face to Face, embora celebrado enquanto eventual primeiro disco conceptual da história, já tinha aquela perfeição em que não conseguimos apontar canções a mais. Something Else segue a mesma linha e mostra-nos os Kinks enquanto magnífico aglutinadores de tudo o que passava na música pop em 1967: a bossa de "No Return", o psicadelismo beatlesco de "Lazy Old Sun", aquela intro de "Death of a Clown" que eventualmente traz-nos a intro de "You Still Believe In Me" à cabeça e a soul de "Tin Soldier Man". Íamos a meio da tão afamada golden age dos Kinks.
domingo, 5 de fevereiro de 2017
[Fundo de Catálogo] The Beatles - Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (1967)
Depois de Rubber Soul,
disco perfeito e sem canções para encher (Brian Wilson dixit), de Revolver,
iniciação ao psicadelismo num disco livre e o último que terá contado com um
grupo unido na sua composição. Sobre as gravações de Sgt
Peppers..., Ringo haveria de dizer mais tarde que só se lembra de aprender a
jogar xadrez e George Harrison confessar-se-ia irritado e longe do resto do
grupo. Nas palavras do próprio: "era Lennon a criar ao piano e o Ringo a
manter o tempo". Brian Wilson, homem cuja visão, frustração e
perfeccionismo ia puxando a pop para lá dos limites que eram derrubados todas
as semanas (pelos Doors, pelos Jefferson Airplane, pelos Velvet Underground,
por Jimi Hendrix, só para nos ficarmos nos seis primeiros meses de 67), haveria
de atirar a toalha ao chão. Os Beatles passavam a jogar num campeonato só seu.
1 de Junho de 1967, o mesmo dia da edição da esquecida e esquecível estreia de
David Bowie, três dias depois do
incidente no Tompkins Square Park, no Memorial Day, o início do fim do
Summer of Love. Sgt Peppers Lonely Hearts
club band tornou-se a banda sonora dessa geração a par, claro, de “SanFrancisco (Be Sure to Wear Flowers in Your Hair)”, escrita e interpretada por
membros dos The Mamas & The Papas, sempre excelentes na descrição de
banalidades, seja o movimento hippie, seja uma segunda-feira. E só não
conseguimos referir que a relação foi reciproca porque o registo terá sido
gravado ao longo de quatro meses, uma eternidade para a altura. Sim, numa
altura em que já tinha abandonado de vez os palcos, e de forma irónica, os
Beatles terão passado o movimento todo em estúdio.
O objetivo seria uma obra conceptual sobre uma banda ficcional, a que dá título
ao disco e que vai sendo introduzida canção a canção. Rapidamente aborreceram-se
e fica apenas a introdução da faixa-título, a que apresenta Billy Shears aka (?) Ringo Starr, na interpretação de "With a Little Help
From My Friends". O conceito de concerto perde-se e o registo mesmo
tendo sido importante para a afirmação do álbum, acaba por funcionar como um
álbum normal. Face to Face, dos
Kinks, e Velvet Underground & Nico,
dos Velvet Underground, serão obras mais válidas na exploração de um conceito.
E será Sgt Peppers o melhor disco de
todos os tempos? Existe algum consenso à volta desta ideia: o primeiro álbum
rock a ganhar o Grammy para "Melhor Álbum", o conceito, a capa
(porque não?), as inovadoras técnicas de produção e até uma
ou outra opinião contrária que só o legitima. Mas Sgt Peppers terá canções a mais. Algumas não estão ao nível do
rótulo de melhor de sempre, principalmente ali entre "When I'm Sixty
Four" e a “Reprise”. Lennon
chegou a referir-se a "Good Morning, Good Morning" como
"lixo". Mas teremos sempre “Lucy in the Sky with Diamonds”, “She’s Leaving Home” e “A Day in the Life”.
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