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terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

[Fundo de Catálogo] Cream - Disreli Gears (1967)


O primeiro power trio e super grupo da história estava de volta, quase um ano depois. Só para termos uma noção da velocidade a que tudo acontecia, entre os dois registos, o Summer of Love começou e terminou, os Doors lançaram dois álbuns e inauguram um lado negro que abana o status quo editorial, os Beatles mudam o mundo e nasceu o rock progressivo

A fórmula não é muito diferente, mas enquanto a base continua a ser o blues que agora também é jazz, mas as letras e a voz de Jack Bruce viram-se para o psicadelismo. Inspirados pela estreia de Hendrix, o trabalho de Clapton na guitarra também complexifica-se, com mais pedais e riffs elaborados. O mais incrível é que não há momentos que os egos lutem de forma óbvia, nem há virtuosismo pelo virtuosismo. Era aproveitar enquanto os melhores músicos dos anos 60 ainda se entendiam. Nos anos 70 seguiriam caminhos diferentes.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

[Fundo de Catálogo] Moody Blues - Days of Future Passed (1967)


A ideia seria gravar uma versão rock em stereo da 9ª sinfonia de Dvorak, a New World Symphony. O resultado é o primeiro álbum de rock progressivo, antes mesmo do termo e dos King Crimson existirem. Em 1967, a metamorfose era uma prática bastante comum: bandas que viravam do rock para o psicadelismo, artistas folk que de cantores de protesto passavam a compositores barrocos, grupos que trocavam o palco pelo estúdio. A transformação dos Moody Blues. ex-grupo r&b, só por si, não é surpreendente, mas aquilo em que se transformou é o que torna este Days of Future Passed um dos mais influentes discos de sempre a derivarem de um dos discos mais influentes de sempre: Sgt Peppers, claro. 

Já tínhamos laivos de conceito anexados a álbuns, como Pet Sounds, Face to Face, Freak Out! ou, claro, Sgt Peppers, mas este deverá ser mesmo o primeiro álbum a criar um conceito e a navegar à volta do mesmo: o conceito de dia (referência aos Beatles?), com o arranque madrugador e fim nocturnal. Pelo meio, a London Festival Orchestra funde-se com os músicos num som sinfónico, psicadélico, fresco. Não é bem o fogo dos Beatles, é até contido, poético, acolhedor.