Ninguém estaria a salvo. Se em discos anteriores, os Mothers of Invention iam ralhando com assuntos como o Vietname, os direitos civis, o jornalismo e Elvis Presley, We're Only in it for the Money aumenta o raio de acção de Zappa: os hippies (principalmente os hippies), o psicadelismo, a política, os Beatles (basta olhar para a capa), Hendrix e até Donovan. O projecto é tão mordaz e pouco convencional que mesmo nos números em que há uma aproximação ao formato canção fica difícil levá-los a sério.
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sábado, 8 de julho de 2017
sábado, 24 de junho de 2017
[Fundo de Catálogo] Steppenwolf - Steppenwolf (1968)
Tudo começou com Dylan e a electrificação no dia 25 de Julho de 1965, data do lendário concerto no Newport Folk Festival. É mais uma questão de atitude do que de aproximação aquilo que viria a ser cunhado de heavy metal. Hendrix, Cream, Blue Cheer, Spirit, entre outros mais ou menos obscuros foram calibrando e/ou sabotando a fórmula até este rock que nos habituámos a associar a concentrações motard, muito porque "Born to be Wild", o clássico deste registo de estreia dos Stepperwolf deu música à cena de abertura do clássico Easy Rider. Este álbum dos Stepperwolf, aliás, surge directamente associado ao cunhar do termo "heavy metal" devido a essa canção. A certa altura, John Kay canta "I like smoke and lightning / Heavy metal thunder...". Mas este som está longe de ser aquilo a que nos habituarmos a associar ao heavy metal. É blues e r&b bem electrificados. Rock 'n' roll, pronto.
segunda-feira, 12 de junho de 2017
[Fundo de Catálogo] Spirit - Spirit (1968)
Hoje relativamente esquecidos, os Spirit alcançaram em 68 relativo sucesso comercial. Esta estreia homónima, à distância de quase 50 anos, podemos dizer, equilibra uma inspiração pelo passado (Doors, Pink Floyd, Hendrix, o vocalista Randy California teria tocado com este último) e o futuro (os Led Zeppelin viriam a semi-plagiar "Taurus" em "Starway to Heaven"). Na essência não é mais que outro disco psicadéllico com toques blues e jazz e pormenores orquestrais. Rock progressivo, vá. Terão influenciado gente tão nova como os Temples, por exemplo.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017
[Fundo de Catálogo] The Jimi Hendrix Experience - Axis: Bold as Love (1967)
Como suceder um disco de estreia que foi uma verdadeira pedrada no charco e que inventou uma nova forma de tocar e explorar a guitarra? Editar no mesmo ano, sete meses depois, e elevar a fasquia com canções mais desafiantes e um disco mais dado à experimentação. Basta ouvir a faixa de abertura, "EXP", que não chega a ser uma canção mas quase dois minutos de uma entrevista que é abafada pelo feedback da guitarra de Hendrix e acaba por se transformar em "Up the Skies"; uma canção sobre aliens.
Injusta e tantas vezes visto de forma demasiado simplória como o patinho feio da discografia, Jimi, Noel Redding e Mitch Mitchell não mudam demasiado a fórmula, apenas fazem por passeá-la por novos trilhos. Assim, o power trio volta a pisar terrenos blues, jazz, psicadelismo e soul enquanto começavam-se a gastar os melhores riffs da história do rock. E os próximos anos só piorariam a situação, muito graças ao próprio Hendrix e outro "Jimi", Jimmy Page.
terça-feira, 21 de fevereiro de 2017
[Fundo de Catálogo] Cream - Disreli Gears (1967)
O primeiro power trio e super grupo da história estava de volta, quase um ano depois. Só para termos uma noção da velocidade a que tudo acontecia, entre os dois registos, o Summer of Love começou e terminou, os Doors lançaram dois álbuns e inauguram um lado negro que abana o status quo editorial, os Beatles mudam o mundo e nasceu o rock progressivo.
A fórmula não é muito diferente, mas enquanto a base continua a ser o blues que agora também é jazz, mas as letras e a voz de Jack Bruce viram-se para o psicadelismo. Inspirados pela estreia de Hendrix, o trabalho de Clapton na guitarra também complexifica-se, com mais pedais e riffs elaborados. O mais incrível é que não há momentos que os egos lutem de forma óbvia, nem há virtuosismo pelo virtuosismo. Era aproveitar enquanto os melhores músicos dos anos 60 ainda se entendiam. Nos anos 70 seguiriam caminhos diferentes.
domingo, 5 de fevereiro de 2017
[Fundo de Catálogo] The Beatles - Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (1967)
Depois de Rubber Soul,
disco perfeito e sem canções para encher (Brian Wilson dixit), de Revolver,
iniciação ao psicadelismo num disco livre e o último que terá contado com um
grupo unido na sua composição. Sobre as gravações de Sgt
Peppers..., Ringo haveria de dizer mais tarde que só se lembra de aprender a
jogar xadrez e George Harrison confessar-se-ia irritado e longe do resto do
grupo. Nas palavras do próprio: "era Lennon a criar ao piano e o Ringo a
manter o tempo". Brian Wilson, homem cuja visão, frustração e
perfeccionismo ia puxando a pop para lá dos limites que eram derrubados todas
as semanas (pelos Doors, pelos Jefferson Airplane, pelos Velvet Underground,
por Jimi Hendrix, só para nos ficarmos nos seis primeiros meses de 67), haveria
de atirar a toalha ao chão. Os Beatles passavam a jogar num campeonato só seu.
1 de Junho de 1967, o mesmo dia da edição da esquecida e esquecível estreia de
David Bowie, três dias depois do
incidente no Tompkins Square Park, no Memorial Day, o início do fim do
Summer of Love. Sgt Peppers Lonely Hearts
club band tornou-se a banda sonora dessa geração a par, claro, de “SanFrancisco (Be Sure to Wear Flowers in Your Hair)”, escrita e interpretada por
membros dos The Mamas & The Papas, sempre excelentes na descrição de
banalidades, seja o movimento hippie, seja uma segunda-feira. E só não
conseguimos referir que a relação foi reciproca porque o registo terá sido
gravado ao longo de quatro meses, uma eternidade para a altura. Sim, numa
altura em que já tinha abandonado de vez os palcos, e de forma irónica, os
Beatles terão passado o movimento todo em estúdio.
O objetivo seria uma obra conceptual sobre uma banda ficcional, a que dá título
ao disco e que vai sendo introduzida canção a canção. Rapidamente aborreceram-se
e fica apenas a introdução da faixa-título, a que apresenta Billy Shears aka (?) Ringo Starr, na interpretação de "With a Little Help
From My Friends". O conceito de concerto perde-se e o registo mesmo
tendo sido importante para a afirmação do álbum, acaba por funcionar como um
álbum normal. Face to Face, dos
Kinks, e Velvet Underground & Nico,
dos Velvet Underground, serão obras mais válidas na exploração de um conceito.
E será Sgt Peppers o melhor disco de
todos os tempos? Existe algum consenso à volta desta ideia: o primeiro álbum
rock a ganhar o Grammy para "Melhor Álbum", o conceito, a capa
(porque não?), as inovadoras técnicas de produção e até uma
ou outra opinião contrária que só o legitima. Mas Sgt Peppers terá canções a mais. Algumas não estão ao nível do
rótulo de melhor de sempre, principalmente ali entre "When I'm Sixty
Four" e a “Reprise”. Lennon
chegou a referir-se a "Good Morning, Good Morning" como
"lixo". Mas teremos sempre “Lucy in the Sky with Diamonds”, “She’s Leaving Home” e “A Day in the Life”.
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domingo, 29 de janeiro de 2017
[Fundo de Catálogo] Jimi Hendrix - Are You Experienced (1967)
Enquanto os clássicos psicadélicos pululavam quase a ritmo mensal (The Doors, Jefferson Airplane, Velvet Underground & Nico e Country Joe & The Fish só para mencionar os de 1967), era editado um dos discos mais influentes da história do rock and roll. E quando referimos rock and roll, estamos mesmo a referir-nos àquele directo, bruto, lascivo, suado, cru, incendiário (no caso de Hendrix, a coisa haveria de se tornar literal). Hendrix terá inventado este rock and roll.
E o que de novo? Misturou basicamente todos os géneros até aí inventados até então: jazz, blues, r&b, soul e psicadelismo e, para além disso, deu uso a uma data de pedais e criou condições para que a criação discos carregados de distorção e feedback passasse a ser natural. Mas se é verdade que o disco se distingue essencialmente pela forma como Hendrix toca guitarra (eventualmente, a par de Eric Clapton (Cream) e Frank Zappa), o primeiro guitar hero da história), Are You Experienced acaba por funcionar como um todo, em que as canções são mais importantes que os solos de guitarra. Algures nos anos 70, a ideia inverteu-se e os Pistols resgataram o rock mais primário. A história é mais ou menos esta.
Mas a verdade é que Hendrix nem merecerá estar no mesmo texto que os Pistols. Ou, como haveria de dizer: I don’t want to be a clown anymore. I don’t want to be a ‘rock and roll star. É verdade que não haveria de por lá ficar muito mais tempo.
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