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sábado, 18 de fevereiro de 2017

[Disco] Austra - Future Politics


É simbólico que Future Politics tenha sido editado no tão badalado Inauguration Day, o dia 1 de Donald J. Trump enquanto twitteiro que também é Presidente dos Estados Unidos da América. 20 de Janeiro passou também a ser o dia 1 da cultura vs Trump. É possível que nos próximos meses e anos, o ritmo aumente, mesmo que, como disse recentemente um escritor algures, os americanos apenas tomem atenção ao que se passa em Hollywood. 



Aparentemente, Future Politics foi escrito antes da eleição mais estapafúrdia da história, mas a viragem para uma cultura xenófoba, racista, intolerante e de extrema direita já está em marcha faz anos. É um álbum conceptual que tem sido descrito como distópico. Mas andaremos assim tão longe disto? Não, o que se ouve aqui são relatos bastante actuais sobre o mundo tecnológico, cidades descaracterizadas, religião e outros temas fracturantes da sociedade de hoje, de Trump ao Airbnb. Podem-se estabelecer paralelismos entre este disco de Austra e a mensagens dos Knife, embora aqui tudo seja bem menos abstracto.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

I Break Horses - Chiaroscuro


Muito sucintamente, a história diz-nos que há formas de um músico mudar de som. Ou o faz de forma subtil, mas com resultados que se revelam impactantes no produto final como os Arctic Monkeys quando passaram do segundo para o terceiro álbum, ou muda radicalmente de som, estilo, roupa, tudo, como os Horrors do primeiro para o segundo disco. Isto, apenas para citar dois exemplos recentes. Os I Brake Horses optaram pela primeira hipótese, a menos radical. Do shoegaze pouco consequente do primeiro álbum, Hearts, passaram para um som mais dançável e gélido, mais nórdico. O que antes era adereço, agora passou a ser a base que suporta o todo: os sintetizadores. 

Com Chiaroscuro (termo italiano que significa algo como "luz-sombra") têm sido muito comparados aos conterrâneos Knife, talvez por também serem um do menino-menina. Não faz sentido, os I Break Horses não estão interessados em quebrar barreiras ou explorar novas linguagens. Não querem chocar nem provocar. A música que aqui ouvimos não é tanto para ser pensada, mas sim sentida. E se há coisa que não falta em Chiaroscuro são as emoções que, como o título indica, andam entre a luz e a escuridão. De resto, é ouvir "Denial" e perceber porque é que a banda sonora de Drive se tornou numa das coisas mais influentes dos últimos anos.

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