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sábado, 18 de fevereiro de 2017

[Disco] Austra - Future Politics


É simbólico que Future Politics tenha sido editado no tão badalado Inauguration Day, o dia 1 de Donald J. Trump enquanto twitteiro que também é Presidente dos Estados Unidos da América. 20 de Janeiro passou também a ser o dia 1 da cultura vs Trump. É possível que nos próximos meses e anos, o ritmo aumente, mesmo que, como disse recentemente um escritor algures, os americanos apenas tomem atenção ao que se passa em Hollywood. 



Aparentemente, Future Politics foi escrito antes da eleição mais estapafúrdia da história, mas a viragem para uma cultura xenófoba, racista, intolerante e de extrema direita já está em marcha faz anos. É um álbum conceptual que tem sido descrito como distópico. Mas andaremos assim tão longe disto? Não, o que se ouve aqui são relatos bastante actuais sobre o mundo tecnológico, cidades descaracterizadas, religião e outros temas fracturantes da sociedade de hoje, de Trump ao Airbnb. Podem-se estabelecer paralelismos entre este disco de Austra e a mensagens dos Knife, embora aqui tudo seja bem menos abstracto.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

[Disco] Foxygen - Hang


Os Foxygen iam acabar, mas afinal não. E a avaliar pelo que aqui ouvimos, Hang confirma: os Foxygen são, à imagem dos Death Grips, uma excelente piada. Depois de uma extraordinária homenagem ào psicadelismo era Summer of Love que foi We Are the 21st Century Ambassadors of Peace & Magic e do exagero do duplo ...And Star Power, os californianos voltam-se a esticar. Desta feita, as fichas no jogo da megalomania são todas colocadas numa orquestra de mais de 40 elementos, alguns deles bem conhecidos (elementos dos Flaming Lips, Matthew E. White, os Lemon Twigs...). Se a anedota mascarada de ópera-rock resulta? Não durante muito tempo. Existe aquela cliché que aponta para o disco que cresce com múltiplas audições. No caso de Hang, o efeito parece ser contrário. E atenção que deste lado está um fã de Age of Adz de Sufjan Stevens. Talvez apercebendo-se disso, a banda despacha a coisa em 30 minutos.

sábado, 14 de janeiro de 2017

[Disco] The xx - I See You


Os xx sempre foram implicância da casa. Traduzindo: um aborrecimento de morte. Aparentemente, o motivo pelo qual este disco não tem recebido pelos fãs da velha (já lá vão sete anos) escola, é o mesmo que nos faz apreciá-lo por aqui:  o fim da lamuria gratuita que dá lugar a uma espécie de takeover de Jamie xx, cujo trabalho a solo era até hoje a única coisa saída da banda londrina por aqui apreciada. Tendo em conta o protagonismo dos dois vocalistas, chega a ser paradoxal que este seja um disco pensado por Jamie Smith, mas estão aqui marcas do modelo In Colour, a sua muito celebrada estreia de material original a solo. É tão bom que até as canções que mais devem ao passado nos soam bem.