Mostrar mensagens com a etiqueta George Harrison. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta George Harrison. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 11 de julho de 2017

[Fundo de Catálogo] The Incredible String Band - The Hangman's Beautiful Daughter (1968)



Talvez não seja tão bizarro como esta música o foi em 1968, mas não deixa de ser singular que os ouvintes do 3º da Incredible String Band se dividam entre aqueles que na altura adoraram e depois deixaram de gostar, e os que alegam o caminho inverso, ou seja, a estranheza nos anos 60 e a luz anos depois. Não será de estranhar. Embora tenha sido uma pedrada no charco, a música dos Incredible String Band é de difícil audição, sendo que este "difícil" pode ser lido como "quase inaudível". Paralelamente, existe uma geração que bebeu tudo o que este The Hangman's Beautiful Daughter tem para dar. A geração de Devendra Banhart, de Joanna Newsom, a freak-folk que a Wire no arranque do milénio baptizou. 

É também um álbum frequentemente apontado como fundador daquilo a que hoje chamamos world music. Porque introduz elementos da Escócia Natal, das Bahamas, do Oriente e até do Norte de África, para além, claro, dos Estados Unidos. Na altura, os Led Zeppelin foram buscar inspiração e Paul McCartney rendeu-se (a surpresa será o elogio não ter vindo do mais viajado Harrison, mas siga). Um registo que não viaja apenas na música, mas também nas letras e que, ao contrário de Their Satanic Majesties Request não ficou lembrado pela inspiração de Sgt. Peppers na capa. 

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

[Fundo de Catálogo] The Beatles - Revolver (1966)


É tido como um dos melhores discos de sempre, mas vamos considerá-lo antes de mais um dos discos mais livres de sempre. Porque rompe com tudo o que tinha sido feito anteriormente, porque manda o totalitarismo editorial dar uma volta. Sim, é verdade que, como já vimos anteriormente neste blogue, o psicadelismo já tinha tido vários inícios, mas com Revolver é seguro dizer que o modelo psicadélico chega à sua idade adulta. Bem, na verdade nada é seguro em Revolver. Pet Sounds é magnífico, mas é outra coisa. Mesmo Rubber Soul, embora Harrison tenha dito que não via grandes diferenças entre os dois discos, sendo que, para o Beatle, o disco de 1965 era o Volume Um e este o Volume Dois. 

O sétimo dos Beatles marca a preponderância de Lennon em relação a um McCartney baladeiro, perfeito para os Beatles anteriores, menos presente nestes que iam experimentando LSD. Mas Lennon não estava só, Harrison era companhia para as trips e ganhava espaço: três das 14 canções são dele. Lennon materializa as tais trips e acaba por confessar-se: "Beatles are bigger than Jesus". Caldo entornado, a América não lhe perdoa as palavras e faz o que pode: queima os discos. Vale-lhes que essa América não é a mesma América que inspiraram e que tanto os inspirava, ou seja, Beach Boys, Motown/Stax, Dylan. 

Robert Rodriguez, autor entre outras obras de Revolver How the Beatles Reimagined Rock'n'Roll, diz que Revolver criou, nas suas 14 faixas, todos os outros géneros da pop, da  electrónica ao punk, passando pela world music. Acrescentamos que só não terão inventado a soul e o r&b pois já tinham sido inventados. Bem-vindos à era psicadélica.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

[Fundo de Catálogo] The Rolling Stones - Aftermath (1966)


Embora seja muitas vezes celebrado por ser o primeiro álbum composto exclusivamente por composições da dupla Jagger/Richards, a grande influência sobre Aftermath talvez tenha que ser concedida a Brian Jones. Enquanto os restantes andavam à boleia da obra dos Beatles, Jones passava tempo com um deles, George Harrison, ele que lhe terá mostrado todos os instrumentos fora do comum que aqui encontramos: sitar, marimba e koto. E é só por isso que este é o primeiro álbum dos Stones que nos obriga a parar para ouvir com redobrada atenção. Há ali um baixo fuzz, acolá um ou outro pormenor que foge ao padrão blues-rock dos primeiros registos, mas nada como os toques instrumentais introduzidos por Jones. 



Era para ser a banda sonora de um filme que nunca existiu provisoriamente chamado Back, Behind And in Front. Acabaria por não avançar, por alegada falta de entendimento entre Mick Jagger e o potencial realizador, Nicholas Ray. O vocalista não terá apreciado o homem de Johnny Guitar. É um corte do passado, o abraçar da provocação e às drogas: algumas canções, "Stupid Girl" e "Under My Thumb" à cabeça, irritaram movimentos feministas com alegadas tiradas misóginas.


A versão britânica ultrapassa os 50 minutos e aí já não é apenas um corte com o passado do grupo, mas com o de toda a industria.