A Spacebomb é a editora deste início de 2015. A força advém dos dois álbuns editados neste primeiro trimestre: primeiro foi Natalie Prass com uma muito aplaudida estreia homónima e depois Matthew E. White com o sucessor do excelente Big Inner, marcante disco de 2012. O fio condutor está em White, carismático fundador, líder e cara da editora, também co-produtor do disco de Prass. Há um novo geek na soul, portanto, uma espécie de Mayer Hawthorne com mais 10 quilos de barba. Há nos dois registos um cuidado quase obsessivo com a produção que obriga a audições repetidas e atentas. A estreia de Prass levou três anos a ser editado e a rapariga já não está de coração partido, como estão as letras de Natalie Prass. A reabilitação foi total - ela sobreviveu e as canções também. A voz lembra em momentos distintos Eleanor Friedberger e Joanna Newsom - tudo embrulhado numa grandiosa folk orquestral. Já Matthew E. White, cujo primeiro registo resultou num sucesso inesperado, não repete, claro, a surpresa. Repete, aliás, a fórmula soul, com duas novidades: menos coros épicos e mais gospel. O resultado não é tão deslumbrante como em Big Inner.
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sábado, 14 de março de 2015
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
[Fundo de Catálogo] Buddy Holly - The "Chirping" Crickets (1957)
Gostamos de nos referir à forma como a malta da Stones Throw promoveu Mayer Hawthorne - um nerd com a soul na voz - como uma pedrada no charco. Mas, há mais de 50 anos, um outro tipo de óculos e aspecto pouco cool transformou-se num dos mais influentes músicos dos anos 50 e da história da música popular, referência essencial para a mais aclamada banda de todos os tempos, os Beatles. Buddy Holly foi, aliás, o primeiro a fazer várias coisas: o primeiro tipo sem apelo físico a triunfar no círculo rock' n' roll, o primeiro tipo a criar uma banda de rock e o primeiro tipo de rock a morrer tragicamente, num acidente (aéreo).
O geek pouco à vontade na televisão começou a cantar canções em igrejas baptistas para, depois, se deixar agarrar pelo bluegrass e pelos blues de Lonnie Johnson. São influências que se notam naquele que seria o único álbum de Holly com os Crickets. A trágica morte, com apenas 22 anos, haveria de cubrir um legado que ainda hoje dura. Pai "legítimo" dos Beatles - em 1964, antes da actuação no Ed Sullivan, John Lennon como porta voz dos Beatles haveria de perguntar: "foi este o palco que Buddy Holly em tempos pisou, não foi?" - e inspiração para Dylan, Stones, Beach Boys e outros monstros sagrados. Partiu cedo demais.
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