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sábado, 8 de julho de 2017

[Fundo de Catálogo] Mothers of Invention- We're Only in it for the Money (1968)


Ninguém estaria a salvo. Se em discos anteriores, os Mothers of Invention iam ralhando com assuntos como o Vietname, os direitos civis, o jornalismo e Elvis Presley, We're Only in it for the Money aumenta o raio de acção de Zappa: os hippies (principalmente os hippies), o psicadelismo, a política, os Beatles (basta olhar para a capa), Hendrix e até Donovan. O projecto é tão mordaz e pouco convencional que mesmo nos números em que há uma aproximação ao formato canção fica difícil levá-los a sério. 

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

[Fundo de Catálogo] Tim Buckley - Goodbye and Hello (1967)


Regressamos a Goodbye and Hello e apercebemo-nos da impressionante quantidade de afirmações do género "o filho é melhor que o pai" e vice-versa, com argumentos que fazem lembrar aquelas discussões que temos no tempo do básico sobre jogadores da bola e que acabam, invariavelmente, num "são jogadores diferentes, não dá para comparar", e acabou a conversa. Ambos tinham dom vocal, ambos morreram cedo e ambos deixaram um legado incontornável. A partir daí, qualquer termo de comparação torna-se discutível. 

Goodbye and Hello surge depois de Buckley deixar escolha, mulher e bandas para trás e depois também da edição de Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band, álbum que sai no dia 1 de Junho de 1967 para contaminar todo o segundo semestre. A folk de Buckley passa a incluir, em alguns casos, nomeadamente nas duas primeiras canções, sons que contextualizam o tema das canções que são sobre guerra, drogas e solidão na sua maioria, todas poéticas, mas com um nível de risco e exploração quem nem Donovan, nem Dylan, ele que estava a recuperar de um acidente de mota e não daria notícias durante o que restou do ano civil, teriam alcançado na altura. Ouvimos fantasmas muito ocasionais de John Fahey e notamos a preciosa ajuda de Larry Beckett, aspirante a poeta e escritor de canções que mais recentemente se tornou num crítico literário, ele que colaborou em seis canções, deixando a sua marca nalgum do melhor material de Tim Buckley. 

domingo, 22 de janeiro de 2017

[Fundo de Catálogo] Velvet Underground - Velvet Underground and Nico (1967)

A banana está mais do que descascada. Não há muito que se possa acrescentar sobre um disco que já foi dissecado milhares de vezes, mas há sempre a Internet e a nossa percepção pessoal. 

Quanto à Internet, é seguir para uma teoria partilhada no reddit que, não sendo rebuscada e/ou uma pedrada no charco, vale a pena espreitar. Isto se não perderam mais do que dez minutos a pensar que o disco poder uma obra conceptual sobre um drogado.

Já aqui se escreveu que bandas como os Doors e os Jefferson Airplane foram censuradas, embora de maneiras diferentes. No caso dos Velvet Underground, o conteúdo era tão explicito (drogas, dealers, prostitutas...) que poderá ser registado, a par dos discos de viragem dos Beach Boys e Beatles, como primeiro suicídio comercial da história. 30 mil cópias vendidas que, segundo Brian Eno, renderam outras tantas bandas (de forma subtil, colocámos aqui uma das citações mais célebres da história da música pop, talvez assim não soe tão chato). 

A história já tinha oferecido álbuns importantíssimos, Pet Sounds, Sunshine Superman, Revolver, Blonde on Blonde, Rubber Soul, só para citar os de omissão impossível, mas, ainda  que Dylan tenha gravado na cidade, nenhum espelhava tão bem a Nova Iorque do final dos anos 60 Mas nem a aliança de Andy Warhol na produção e tudo o mais evitou o falhanço. O "e tudo o mais" pode ser traduzido pela criação de uma improvável aliança entre americanos e alemães ou, neste caso, uma atriz, modelo e musa de Brian Jones e Dylan, uma alemã chamada Nico (muito antes de Klinsmann treinar a elecção americana naquela que é a única associação germânico-americana que me lembra assim de repente). Há ainda uma vertente mais técnica que está relacionada com John Cale, músico de formação  clássica que odiava folk e adorava La Monte Young e John Cage, que trouxe ideias de gravação que revolucionaram o som da banda. "We were trying to do a Phil Spector thing with as few instruments as possible", diria depois. 

Um ano depois, em Janeiro de 1968, com White Light/White Heat, provariam que o suicídio comercial era o seu modus operandi.

sábado, 5 de novembro de 2016

[Fundo de Catálogo] Donovan - Sunshine Superman (1966)


Mais um que caiu no caldeirão psicadélico, não é? Na segunda metade de 66, as quedas os tropeções eram cada vez mais recorrentes e a Aldeia Gaulesa parecia cada vez mais global Até Sunshine Superman, Donovan era tratado como um disciplino (pelos mais simpáticos) ou copista (pelos mais hostis) de Dylan. E percebe-se: a folk, a veia poética, o facto de ter aparecido bem mais tarde, já em 65, três anos depois de Bob Dylan. Mas, vá, depois de Dylan, todos chegam atrasados, de Donovan a Jake Bugg ou, para usarmos um nome mais consensual, Devendra Banhart. O maior elogio que podemos fazer a Donovan é esse: depois de Dylan, todos são Donovans, o escocês que melhor se fazia passar por americano. 

Os Beatles e os Stones tinham-nos introduzido ao som oriental da sitar, mas Donovan usa e abusa do instrumento indiano. Nada que, aliado ao consumo de LSD, surpreenda: Donovan era próximo dos Beatles e de Brian Jones. A droga está omnipresente nas letras e, aliás, a introdução de LSD no copo de uma namorada, Sue Lyon, a Lolita de Kubrick, fez com que a relação chegasse ao fim. 

Alguns apontamentos retirados durante a audição de Sunshine Superman, conclusões nossas: 

- Donovan seria mais obcecado por "velvet" (veludo) do que David Lynch: são três as referências que contámos nestas dez canções;
- Este será um disco muito importante para meninos como os Decemberists que recriam os contos e as histórias e fábulas medievais;