Ninguém estaria a salvo. Se em discos anteriores, os Mothers of Invention iam ralhando com assuntos como o Vietname, os direitos civis, o jornalismo e Elvis Presley, We're Only in it for the Money aumenta o raio de acção de Zappa: os hippies (principalmente os hippies), o psicadelismo, a política, os Beatles (basta olhar para a capa), Hendrix e até Donovan. O projecto é tão mordaz e pouco convencional que mesmo nos números em que há uma aproximação ao formato canção fica difícil levá-los a sério.
Mostrar mensagens com a etiqueta Frank Zappa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Frank Zappa. Mostrar todas as mensagens
sábado, 8 de julho de 2017
sexta-feira, 3 de março de 2017
[Fundo de Catálogo] The Who - The Who Sell Out (1967)
No dia 14 de agosto de 1967, as transmissões de rádio em águas territoriais do Reino Unido passam a não ser permitidas, aniquilando as rádios pirata que aí se refugiavam para oferecer o rock que fugia da programação das BBCs. Dois meses antes, os Who deixam rasto no Monterey Pop Festival e três meses depois, a banda que, apesar do clássico "My Generation", ainda não tinha editado um grande disco, decide lançar um registo conceptual que simulasse a transmissão de uma rádio pirata, com jingles e anúncios inventados. A ironia inerente ao título estende-se à capa e a algumas das canções do disco, em que promovem desodorizantes, Heinz Baked Beans, tatuagens e pomadas para combater o acne. Para além de algumas referências sexuais que são caras aos miúdos, claro, ou não fosse esse o público das rádios pirata.
A primeira metade de The Who Sell Out deixa o espalhafato dos discos anteriores para se envolver no psicadelismo mais debochado e excessivo, à Beatles de Sgt Peppers ou Zappa nos Mothers of Invention ou mesmo dos Stones que tinham acabado de editar Their Satanic Majesties Request. Só Brian Wilson se parecia levar a sério. Na segunda metade, "I Can See for Miles" é tão a sério que, para além de ser tida (de forma ousada, diga-se) como um dos primeiros exemplos de rock progressivo, terá inspirado Paul McCartney a criar "Helter Skelter", para muitos a primeira canção com laivos metal de sempre. A história:o Beatle estaria a ler uma review a The Who Sell Out e deparou-se com uma frase que descrevia "I Can See for Miles" como a "canção mais pesada de sempre". McCartney, claro, teve que se superlativar. Talvez seja então a segunda parte do álbum, sem referência radiofónicas, que, no meio de tanta paródia, tenha acabado por ser levado a sério. É de valor.
Etiquetas:
Beach Boys,
Frank Zappa,
Fundo de Catálogo,
Monterey Pop,
Mothers of Invention,
Paul McCartney,
Rádio Pirata,
Rolling Stones,
The Beatles,
The Who
terça-feira, 21 de fevereiro de 2017
[Fundo de Catálogo] Jefferson Airplane - After Bathing at Baxters (1967)
Interessante perceber que depois do enterro do Summer of Love, também os Jefferson Airplane decidiram seguir outro caminho. Depois de um muito bem sucedido Surrealistic Pillow, álbum que ofereceu dois hinos, "Somebody to Love" e "White Rabbit", o grupo avança para a auto-sabotagem, à imagem do que os Velvet Underground fariam mais adiante: um registo sem singles óbvios, propositadamente arriscado e disruptivo. Frank Zappa passa a ser o farol da mais celebrada banda de São Francisco, o psicadelismo passa a andar de mãos dadas com o caos de mais uma viagem sem destino premeditado. Conceptual e dividido em cinco fases (Streetmasse, The War is over, Hymn to an Older Generation, How Suite It Is e Shizoforest Love Suite) é o segundo disco em apenas um ano e a prova provada que 1967 é um dos anos mais rápidos da história da pop. Segue jogo, já íamos no final de Novembro e ainda faltavam discos importantíssimos dos Love e Rolling Stones.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017
[Fundo de Catálogo] Captain Beefheart and his Magic Band - Safe as Milk (1967)
Foi desde pequeno que Beefheart captou a atenção da família e o encorajamento necessário para desenvolver os seus talentos. É também em miúdo que conhece Frank Zappa que haveria de se tornar a sua grande influência, sendo que aqui neste Safe as Milk essa influência manifesta-se na forma como parodiou tudo o que o rodeava.
Há algum tempo que Beefheart gravava covers r&b para a A&M, a editora habitual que acabou por chumbá-lo desta vez. Uns disseram que as canções eram demasiado depressivas, outros eram mais específicos, como Jerry Moss, executivo da editora terá referido que o conteúdo de "Electricity", por exemplo, seria demasiado sugestiva para os ouvidos da sua filha. Tivesse-lhe mostrado "I'm Glad", eventual paródia a uma canção dos Miracles, e pode ser que...
O disco, fortemente influenciado pelos blues, mas também pela soul, influências western e outras de Phil Spector aqui e Kinks ali, acabou por ser editado pela Buddah Records e, alegadamente, adorado por John Lennon. Pode Safe as Milk ser levado demasiado a sério? Claro que não, mas reconhecemos aqui algum material que haveria de influenciar gente menos óbvia, como John Frusciante, e outra mais evidente como Mike Patton.
domingo, 12 de fevereiro de 2017
[Fundo de Catálogo] Beach Boys - Smiley Smile (1967)
Brian Wilson prometeu: "será melhor que Pet Sounds". Não contava com uma das mais celebres aplicações da Lei de Murphy da história da industria discográfica. Smiley Smile nunca esteve para acontecer. Smile era a ideia original (felizmente, tivemos oportunidade de viver para ver um esboço daquilo que poderia ter sido e, se fosse assim seria incrível) e acabou por render uma das mais incríveis histórias do catálogo pop.
Depois de Pet Sounds, Wilson preparou outra bomba: "Good Vibrations", single que seria ponto de partida para o tal disco maior que Pet Sounds, maior que Sgt. Peppers, maior que a vida. As frustrações de estúdio, os problemas de saúde do cérebro dos Beach Boys e o desentendimento com os companheiros que se desentendiam com Van Dyke Parks (braço direito de Wilson) porque, alegadamente, escrevia letras demasiado difíceis de apanhar sabotaram-no. Sgt Peppers foi a estucada final.
Mas embora soe de facto inacabado, Smiley Smile foi crescendo com o passar dos anos. Não fosse a confirmação depois cancelada à última da hora no Monterey Pop Festival e diríamos que estavam completamente alheados do Summer of Love. É diferente de tudo o que se passava em 1967, eventualmente com excepção em Frank Zappa: pega em influências avant-garde e antecipa a música ambiental. A produção lo-fi de boa parte das mais despidas canções contrastam com outras duas que parece a mais: uma é "Good Vibrations" que Wilson insistiu para que não fosse incluída, a outra é "Heroes and Villains". Fragmentado, sim, mas visionário. O homem tinha mesmo qualquer coisa e não apenas problemas mentais provocados por drogas e/ou frustrações. Smiley Smile é um dos acidentes mais influentes da história. E ainda que inacabado faz inveja a tanta discografia.
sábado, 12 de novembro de 2016
[Fundo de Catálogo] Love - Da Capo (1966)
Mais uma banda a picar o ponto na novíssima cena psicadélica. E porque não? O segundo disco dos Love ainda não é Forever Changes, mas já nos explica o fascínio de várias bandas punk pela banda de Arthur Lee: "Seven and Seven is" pode muito bem ser classificada como primeira canção punk de sempre. Da Capo significa muitas mudanças: na sonoridade, no alinhamento (Michael Stuart passa a ser o baterista e Alban "Snoopy Pfisterer passa a ocupar-se do harpsicord e orgão) e na direcção. Têm um Lado A composto por seis canções e, à imagem de Dylan e dos Mothers of Invention, uma única faixa no Lado B. É aí que caem mais claramente no caldeirão psicadélico.
segunda-feira, 31 de outubro de 2016
[Fundo de Catálogo] The Mothers of Invention - Freak Out! (1966)
Se estudássemos uma disciplina chamada Frank Zappa e o primeiro teste se concentrasse no álbum de estreia dos Mothers of Invention, Freak Out! eis uma proposta de pergunta e resposta simples:
- Este é o primeiro disco psicadélico da história? Também.
- É o melhor álbum de Zappa? Claro que não.
- É o mais importante? Um dos...
Estávamos em 1966 e a história do rock mudava a cada mês, no anterior Dylan tinha incluído canções de quase 12 minutos em Blonde on Blonde no mesmo dia em que Brial Wilson e os Beach Boys mudaram a história da produção discográfica com Pet Sounds. Frank Zappa voltava a baralhar a história da pop. E baralhava com um disco de quatro lados (novidade absoluta) e conceptual sobre a América: o Vietname, os Tumultos de Watts e, consequentemente, os direitos civis, o jornalismo, até Elvis Presley.
A história é digna dos clássicos: Tom Wilson, homem experiente que já tinha produzido Dylan e Simon & Garfunkel, assina-os convencido que são uma "white blues band". Wilson, ao contrário de quase toda a gente rodeava outro Wilson, o Brian dos Beach Boys, abraçou a diferença e acreditou que esta fritaria poderia ser marcante. Terá gasto uma fortuna e arriscado o emprego, isto numa altura em que a paranóia, o invulgar e a diferença supostamente não pagavam contas. Mas nem tudo é difícil em Freak Out!: há doo-wop e canções como "Go Cry On Someone Else's Shoulder" que só no cinismo e idiossincrasias de Zappa diferia do que uma data de grupos r&b e soul iam fazendo em editoras como a Motown ou a Stax.
Disco de culto, pioneiro naquilo a que se convencionou chamar de avant-garde.
Subscrever:
Mensagens (Atom)






